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São Paulo recebe a prova de abertura do Racing Festival com novidade
Posted: 29 Apr 2011 07:24 AM PDT

São Paulo recebe a prova de abertura do Racing Festival com novidade

O local escolhido para a missão de abrir a temporada do campeonato, entre os dias 6 e 8 de maio, é a capital paulista. Novamente, o tradicional autódromo de Interlagos está no calendário do evento de motovelocidade patrocinado pela Honda e, mais do que isso, inaugurará uma nova categoria, que fará companhia a 600 Hornet: a CB 300R.

3ª etapa da Copa Kawasaki Ninja 250R acontece no domingo

Posted: 29 Apr 2011 07:22 AM PDT

3ª etapa da Copa Kawasaki Ninja 250RO autódromo de Interlagos será palco da 3ª etapa da Copa Kawasaki Ninja 250R. O evento acontece no próximo 01 de maio com muitas expectativas. Por conta do feriado do dia Internacional do Trabalhador, a previsão é que tenha um número grande de pessoas para prestigiar o campeonato


Falta de planejamento inviabiliza soluções sustentáveis para a cidade

A inexistência de planejamento urbano de natureza pública, os projetos para a Copa 2014 e os problemas de mobilidade de Salvador e região metropolitana foram os temas que dominaram os debates na Audiência Pública realizada ontem (29) pela Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Salvador. O evento, presidido pelo vereador Gilmar Santiago (PT), ocorreu no auditório Centro Cultural da Casa legislativa e contou com a participação do secretário estadual Ney Campelo (Secopa), o secretário municipal de Desenvolvimento e Habitação, Paulo Damasceno, o deputado estadual Bira Coroa, representantes das secretarias estaduais de meio ambiente (Sema), desenvolvimento urbano (Sedur) e planejamento (Seplan), o presidente do CREA, Jonas Dantas, o geógrafo Clímaco Dias e o arquiteto e urbanista Carl Von Hauenschild.
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“O projeto de mobilidade é o principal desafio no plano da infra-estrutura de Salvador para a Copa 2014”, considerou o secretário Ney Campelo. Na sua opinião o ponto crítico é a garantia de fluidez no tráfego da avenida Paralela, que poderá ser obtido com investimentos da ordem de R$ 570 milhões para a criação de um corretor exclusivo para ônibus (BRT) ou a montagem de infra-estrutura para o deslocamento de veículos leves sobre (trilhos). As duas opções estão sendo alvo de estudos no âmbito do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), espécie de concorrência pública de projetos lançada pelo governo do estado. As dez empresas concorrentes deverão entregar os  projetos para avaliação final até o dia 30 de maio.
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O secretário lembrou, porém, que a solução adotada terá que considerar a necessidade de deslocamentos levando em conta a rede hoteleira, onde estará alojado o visitante que virá para Salvador a fim de assistir às partidas de futebol da Copa. “O cidadão não sai direto do aeroporto para a arena esportiva, portanto serão necessários também investimentos em avenidas como Pinto de Aguiar, Orlando Gomes, Gal Costa, 29 de março (prevista para construção) e também a avenida Vasco da Gama, nas imediações da Fonte Nova. Ney Campelo informou ainda que há recursos previstos para projetos chamados de micro-acessibilidade, da ordem de R$ 38 milhões, para investimentos em ciclovias e melhoria das condições de deslocamento entre o porto e a arena.
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Novo PDDU – Questionado pelo vereador Gilmar Santiago a respeito de informações de bastidores dando conta de que o prefeito João Henrique enviará um projeto de lei para a Câmara revisando o atual Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), o secretário Paulo Damasceno disse que o previsto é a revisão da lei de uso e ordenamento do solo, a fim de adequar os coeficientes construtivos (gabaritos de prédios) na área do entorno da Arena Fonte Nova e na borda marítima em benefício de empreendimentos hoteleiros.
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Damasceno afirmou que essas mudanças seriam necessárias para o provimento de leitos de hotéis em número suficiente para receber os visitantes, de acordo com exigências da Fifa. Informou que o assunto já foi tratado com o governo estadual e que nas próximas semanas o executivo municipal enviará para a Câmara de Vereadores projeto de lei com as propostas de mudanças.
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“O que foi acordado com o estado foram mudanças para solucionar problemas de mobilidade no entorno do equipamento esportivo. Quanto a novos empreendimentos hoteleiros isto não é necessário para a Copa. Salvador tem hoje a terceira maior capacidade de oferta de leitos do país e já estão em construção 19 novos hotéis da região metropolitana, o que atende plenamente às exigências da Fifa”, contestou Ney Campelo. Ele disse que a previsão atual é que em 2014 Salvador contará com 70 mil leitos e que, por isso, a decisão da prefeitura de Salvador de estimular a construção de novos hotéis não estaria articulada com as demandas da Copa.
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“O setor hoteleiro não é favorável a esta medida, pois o objetivo agora são investimentos em modernização e requalificação da rede atual”, comentou Campelo.
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Planejamento – Atualmente há pelo menos trinta projetos de novos hotéis e novas vias urbanas (viadutos, pontes e avenidas) para Salvador, que estão sendo desenvolvidos de modo pontual, sem que estejam articulados em diretrizes que orientem o crescimento de longo prazo da cidade. “Não temos planejamento público para identificar os objetivos de longo prazo e as metas para que possamos chegar lá”, criticou o urbanista Carl Von Hauenschild.
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Ele disse que o método utilizado pelo governo estadual para a escolha dos projetos de infra-estrutura para a Copa, o chamado PMI, é inadequado. “Não é uma PMI com projetos desenhados em 60 dias que irá encontrar as soluções de longo prazo para os problemas da cidade. Isto não tem sustentabilidade”, afirmou.
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O urbanista disse, inclusive, que a carência de planejamento público é uma questão nacional e deu como exemplo dos impactos negativos dessa falta de planejamento o que vem ocorrendo com a questão do aumento do número de automóveis nas cidades. Carl Von lembrou que há pesados estímulos federais para a indústria automobilística e para a facilitação de financiamento para a aquisição de automóveis, porém estas medidas não são acompanhadas de financiamento para resolver os problemas de mobilidade nas cidades. “Estão sendo resolvidos os problemas da indústria automobilística e o pepino fica para os municípios”, comentou.
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Carl Von Hauenschild insistiu na tese defendida por todos os urbanistas de que os projetos de mobilidade urbana devem ser articulados com o planejamento de uso e ordenamento do solo e com as políticas de saneamento ambiental (drenagem de águas pluviais, rede de esgotos, abastecimento de água e coleta e destino final de lixo). Lembrando que as partidas de futebol da Copa serão realizadas no mês de junho, recordou que em junho de 1985 as chuvas em Salvador atingiram a marca de 550 mm e que, devido à precária rede de drenagem da cidade, o tráfego urbano ficou ainda mais caótico do que já é normalmente. “Um bom sistema de drenagem é tão importante quanto soluções de mobilidade”, alertou.
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Quanto às medidas de ordenamento do uso do solo, Carl Von explicou que a melhor solução é agregar as diversas demandas dos moradores da cidade com a oferta integrada de trabalho, moradia, comércio, serviços (incluindo deslocamentos) na mesma região. Isto é o inverso do que ocorre em Salvador, onde a oferta de serviços e emprego concentra-se entre a região do Iguatemi e o centro da cidade e a maioria dos moradores é deslocada para a periferia.

Oração do Dia
Ó Deus, que pela riqueza da vossa graça multiplicais os povos que crêem em vós, contemplai solícito aqueles que escolhestes e daí aos que renasceram pelo batismo a veste da imortalidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
1ª LEITURA
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas 13ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus. 14No entanto viam, de pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário.
15Mandaram que saíssem para fora do Sinédrio, e começaram a discutir entre si: 16“Que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre cla­ríssimo, e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo. 17Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus”. 18Chamaram de novo Pedro e João e ordenaram-lhes que, de modo algum, falassem ou ensinassem em nome de Jesus. 19Pedro e João responderam: “Julgai vós mesmos, se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! 20Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos”.
21Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido.
SALMO DE RESPOSTA
— Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
— Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis.
— A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.
— Abri-me vós, abri-me as portas da justiça: quero entrar para dar graças ao Senhor! “Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!” Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ou­vis­tes e vos tornastes para mim o Salvador!
EVANGELHO
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos
9Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. 10Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar.
12Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. 13Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. 14Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado.
15E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!”

demitido sob pressão_

Carta aberta da Redação de A Tarde (Postada na lista de jornalistas)

Hoje é um dia triste não só para nossa história pessoal, mas também para A TARDE e, principalmente, para o jornalismo da Bahia. Um dia em que A TARDE, um jornal quase centenário e que já foi o maior do Norte e Nordeste e que tinha o singelo slogan “Saiu n´A TARDE é verdade” se curvou. Cedeu a pressões econômicas difusas e demitiu um profissional exemplar. Aguirre Peixoto teve a cabeça entregue em uma bandeja de prata a empresas do mercado imobiliário em uma tentativa de atração/reaproximação com anunciantes deste setor. Tentativa esta que pode dar certo ou não. Uma medida justificada por um suposto “erro grosseiro” não reconhecido pela Diretoria de Jornalismo, pelo Editor-Executivo, pelo Editor-Chefe, por secretários de Redação, Editor Coordenador ou editores de Política. Uma medida, enfim, que só pode ser entendida como uma demonstração de força excessiva, intimidatória à autoridade da Direção de Jornalismo, à Coordenação de Brasil e à Editoria de Política. Uma demonstração de força desproporcional, porque forte não é aquele que age com força contra algo ou alguém mais fraco. Forte seria enfrentar, como o jornalismo de A TARDE estava enfrentando, empresários que iludidos pela promessa do lucro fácil e rápido põem em risco recursos financeiros de consumidores, o meio ambiente da cidade e que aviltam, desta forma, toda a cidadania soteropolitana. Aguirre era o elo mais fraco da corrente. Acima dele havia editores, coordenador, secretários de redação, editor-executivo, editor-chefe, diretor de Jornalismo. Todos, em alguma medida, aprovaram a pauta, orientaram o trabalho de reportagem e autorizaram a publicação da reportagem. Isso foi feito sem irresponsabilidades, pois não foi constatado nenhum erro, muito menos um “erro grosseiro”. Se algum erro foi cometido, o erro foi o da prática do jornalismo, uma atividade cada vez mais subversiva em época em que propositadamente se misturam alhos e bugalhos para confundir, iludir, manipular a opinião publica, a sociedade, a cidadania. É de se estranhar que uma empresa que se coloca como defensora da cidadania aja de tão vil maneira contra um de seus melhores profissionais. Recapitulando, Aguirre foi pautado para dar sequência às reportagens que fazia sobre a Tecnovia (antigo Parque Tecnológico). O fato novo era uma liminar concedida pela 10ª Vara Federal em que cassava multa aplicada ao empreendimento pelo Ibama. Era essa a pauta. No dia seguinte, a Tribuna da Bahia publicou matéria em que dizia que a liminar (decisão que pode ser revista) acabava com o processo criminal contra o empreendimento, que envolve Governo do Estado e duas poderosas construtoras. A matéria de A TARDE – dentro do padrão de qualidade que um dia fez deste um jornal de referência – ouviu o MPF e mostrou que se tratavam de dois processos distintos. O da multa, que foi cassada liminarmente e que o MPF afirmava que recorreria da decisão; e o criminal, que continuava em tramitação normal. A matéria de A TARDE estava tão certa que o MPF, posteriormente, publicou nota oficial na qual desmentia o teor da reportagem da Tribuna da Bahia (jornal que serve a interesses não republicanos, para dizer o mínimo). Essa foi a razão suficiente para o repórter ter a cabeça entregue como prêmio a possíveis anunciantes. O interesse público? A defesa da cidadania? O histórico ético, de manchetes exclusivas, de boas e importantes reportagens? Nada disso importou a A TARDE. Importou a satisfação a um grupo de empresários, a uma, duas ou três fontes insatisfeitas. Voltamos a tempos medievais, quando fontes e órgãos insatisfeitos mandavam em A TARDE, colocavam e derrubavam profissionais. Tempo em que o jornalismo era mínimo. “Jornalismo é oposição. O resto é balcão de secos e molhados”. Essa é uma famosa frase de Millor Fernandes. Dispensado o radicalismo dela, é de se ter em mente que Jornalismo é uma atividade que incomoda. Defender o conjunto da sociedade, seu lado mais fraco, incomoda. É preciso que a Direção de A TARDE entenda que a sustentabilidade do negócio jornal depende do seu grau de alinhamento com a sociedade civil (organizada e, principalmente, desorganizada). A força de um veículo de comunicação não está nos números de circulação ou de de anunciantes, mas nas batalhas travadas em prol dos direitos coletivos e individuais diariamente aviltados pelo bruto e burro poder econômico. Credibilidade é um valor que se conquista um pouco a cada dia e que se perde em segundos. E, graças a ações como esta, a credibilidade de A TARDE escorre pelo ralo a incrível velocidade, assim como sua liderança, assim como seus anunciantes. Sem jornalismo, o jornal (qualquer jornal) pode sobreviver alguns anos de anúncios amigos. Mas com jornalismo, um jornal sobrevive à história.

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trigueiro_by liliana

Numa entrevista exclusiva, na Bahia, antes da palestra ” Espiritismo e Ecologia”, na Escola Polítécnica, em Salvador, o jornalista, escritor e professor André Trigueiro, idealizador do Programa  “Cidades e Soluções”, apresentado na Globo News e Canal Futura,  fala sobre Ciência pra que e pra quem, e por que?, critica práticas empresariais ditas sustentáveis, sem ser. Comenta a proposta de criação de um movimento em favor da retirada sustentável dos recursos, respeitando a capacidade de suporte dos ecossistemas”, defendido durante a Conferencia de Nagoya. Considera que no jornalismo, na comunicação “ é preciso que cada um, com suas ferramentas metodológicas, com sua visão de mundo, possa contribuir para um novo modelo de desenvolvimento”. Que entende jornalismo como duas frentes de trabalho que não se excluem, pelo contrário, são complementares: denunciar o que esta errado, sinalizar os rumos, as saídas, as alternativas, opções inteligentes em favor da vida.

Como pessoa e profissional antenado mostra-se otimista ao considerar que “Estamos hoje melhor do que já estivemos, em todos  os aspectos: espaço ocupado na mídia, qualidade das pessoas que estão fazendo uso da palavra e da escrita para expressar o que é a noticia. E estaremos, no futuro, se Deus quiser, melhor do que  estamos hoje. Mas capacitados para falar desses assuntos com a sua devida ordem de grandeza”.

Condenou determinadas práticas midiáticas ao dizer que “sensacionalismo não combina com jornalismo ético, e de credibilidade”. Com uma visão de mundo moderna, com práticas pessoais internalizadas, usando roupas simples, como uma bata de algodão durante palestra realizada em Salvador, a convite da Sociedade Espírita “O Semeador”, Andre mostrou todo o tempo  um semblante tranqüilo, e usou o humor crítico, irreverente e inteligente para criticar ou fazer observações sobre comportamentos de consumo (eu só uso álcool no carro, não quero nem ver o preço). Observei muito shoppings Center em Salvador. Levando o público ao delírio, arrancando muitas risadas  o recado foi sério “ Não é possível mais nos acostumarmos ou introjetarmos na nossa cultura certos hábitos, comportamentos, ou padrões de consumo, que são potencialmente danosos à vida”.

Com tapa de luva condenou o falso discurso de grandes corporações ao dizer “ Não é correto, do ponto de vista da informação com credibilidade, usar o termo sustentável como adjetivo de tantos empreendimentos imobiliários, bancos, postos de gasolina, supermercados, companhias petrolíferas ou de mineração, dizendo que é sustentável. É é uma ova. E ai a gente está aqui para dizer porque não é. E esse debate é muito rico e fecundo.

Questionado pela colega jornalista sobre  que modelo estamos a perseguir, construir. O professor Trigueiro foi taxativo “ Esse modelo não existe. E o grande desafio é esse. A gente está tendo que trocar o pneu da bicicleta com a bicicleta andando. A gente não tem esse modelo, estamos descobrindo, fazendo”.

O jornalista foi implacável ao defender o papel profissional:  “a gente precisa ter coragem e compromisso em denunciar, em mostrar o que realmente está sendo feito e o que se diz que esta sendo feito”.

E foi realista ao explicar que um novo modelo de desenvolvimento para o planeta não se faz dizendo:  “agora vamos acabar com a sociedade de consumo, vamos acabar com a banalização na compra de supérfluos e vamos ter aqui valores altruístas, humanitários, coletivos, socioambientais. Não é assim”.  Considera, nesse contexto: “Importante incomodar esse poder dominante. Estamos falando de uma classe política e de uma classe econômica que complementam ou consensuam que não há propriamente algo a ser mudado no que esta ai”.  O professor, que criou o primeiro curso de Jornalismo Ambiental na UFRJ lamentou que “A academia hoje não esta preparando economistas para o século XXI. É preciso pensar nisso. São exceções a regra como Eduardo Giannetti da Fonseca, Jose Eloy da Veiga, Sergio Besseman, são alguns nomes de pessoas que estão contra a maré”.

Sobre a presença de uma  mulher Dilma Rousseff , de uma presença feminina na presidência do Brasil,  comentou ” acho que você pode ser um homem muito sensível, com uma visão feminina prevalente de mundo e de valores e de atitudes,  e você pode ter uma mulher legítima representante da sociedade patriarcal”. E torce para que a Dilma possa ter uma nova visão de gestão para o Brasil.(leia completa)

Quanto aos 20 milhões de votos conquistados pela candidata  Marina André Trigueiro disse: “ Marina foi o novo. E o novo em que sentido? No sentido dela estar muito bem embasada, muito bem acompanhada. Foi a única candidata das quatro candidaturas mais experientes, a apresentar um programa de governo detalhado e consistente. Portanto, o que ela estava falando estava lastreado em compromisso por escrito. Algo que os dois candidatos não fizeram. E um discurso muito sedutor”.Com visão política avançada, independente, e desejando novas  perspectivas de avanço no discurso e práticas sustentáveis projetou desejos: “Eu torço para que nas próximas eleições nem o PV e nem a Marina sejam os únicos porta-vozes desse discurso”

Criador e apresentador do “Cidades e Soluções,” programa que ousa e tem compromisso com a Ecocity ,Andre disse que “ entendo que nós temos no Brasil a necessidade  de se ver balizar um novo modelo de desenvolvimento. E um pais com a nossa configuração tem toda capacidade de construir, que seja realmente colocando a sustentabilidade como o eixo motivacional. Não é um adereço, não é uma variável digamos um tanto distante do desenvolvimentismo, mas é  tão importante quanto produzir riqueza, tão importante quanto gerar emprego e renda, é  que essas políticas públicas não onerem o passivo ambiental do Brasil, pense um Brasil futuro numa escala de 50  a 100 anos quando a gente fala de matriz energética; que pense em Educação de forma integral”.

“Tão importante quanto produzir riqueza, tão importante quanto gerar emprego e renda, é  que essas políticas públicas não onerem o passivo ambiental do Brasil, pense um Brasil futuro numa escala de 50  a 100 anos”

Para entender a tranquilidade, o jeito doce e equilibrado de um jornalista que vive no mundo, cobrindo meio ambiente de forma transversalizada foi necessário saber um pouco mais da intimidade dessa pessoa. E descobrimos um lado que poucos sabem, conhecem desse jornalista ultra respeitado e com trabalho sendo referencia para outros jornalistas. O lado espiritual totalmente integrado com o seu jeito transparente de ser.  Disse ele:” se eu bem entendo o significado do discurso religioso é de nos religarmos a uma força superior. Todas as religiões tentam nos transformar em pessoas melhores e promovem à vida, na sua plenitude. Uma religião que não seja sustentável é um paradoxo terrível” Com uma visão muito avançada sobre  Espiritismo ele foi fundo na história e nos ensinou que “ é uma filosofia espiritualista que tem aspectos religiosos e trás nas suas informações básicas, e isso é interessante porque é uma doutrina que tem 150 anos, modernas assertivas que remetem a um mundo mais solidário e no uso dos recursos naturais, separa o que é necessário do que é supérfluo”

Sincronizado com o discurso da sustentabilidade André explica que Espiritismo e Ecologia  estão muito juntos já que “estaremos preocupados não apenas com os filhos e netos, estaremos preocupados com nós mesmos, quando nos afirmamos como recarnacionistas. Quer dizer: a lei do retorno, que o budismo também preconiza, estabelece uma ética que não é só para com o outro é também  um legado que você deixa para os outros, para você.

Provocado sobre o que acha dos cultos de fé cega, alienada e os perigos que isso representa ele foi, como  sempre, muito civilizado: “O mundo, ele é desigual em vários aspectos. Inclusive nas crenças. Questões de fé é de cada um. Quem se identifica com um discurso mais radical, com dogmas rígidos, código moral secreto, quem se identifica, que seja feliz assim. Cada um escolhe o seu caminho, ninguém é obrigado. Você busca o que você tem afinidade. E finalizou sublimando, valorizando “ a sinergia entre budismo, judaísmo e diferentes religiões cristãs. Eu, espiritismo, nessa família cristã, na busca  de um mundo melhor e mais justo. De um mundo sustentável”

”VEJA O PING PONG – NA INTEGRA

O JORNALISTA E PROFESSOR ANDRÈ TRIGUEIRO FALA, NA BAHIA, SOBRE MIDIA, MEIO AMBIENTE, RELIGIAO, POLITICA, CIENCIA, CONFERENCIA DE NAGOYA E COP XVI, EM ENTREVISTA EXCLUSIVA A JORNALISTA E  ATIVISTA SOCIOAMBIENTAL  LILIANA PEIXINHO

A gente precisa ter coragem e compromisso em denunciar, em mostrar o que realmente está sendo feito e o que se diz que esta sendo feito”.

Liliana Peixinho – A gente acompanha o seu trabalho, como professor, escritor, jornalista, que dirige programas importantes em universidades, rádios, TVs, a exemplo do Cidade e Soluções, na Globo News, e observamos seu envolvimento, competência e compromisso com a grande pauta Sustentabilidade. E essa referencia, como pessoa, profissional, nos inspira, nos encoraja e nos mostra desafios e dificuldades para nossos estudos para um jornalismo ambiental, cientifico, ético, informativo, educativo. Nesse contexto, observamos algumas preocupações entre a Academia e o campo, com relação, por exemplo, ao papel da Ciência.  Nesse contexto, como você vê o papel da Ciência na aproximação verdadeira do Homem com o Meio Ambiente, de corpo, espírito e cérebro, antenada com necessidades humanas que não façam da vida um sacrifício, uma carga pesada, mas um prazer?

André Trigueiro – Olha, eu não sei, propriamente se a Ciência poderia ser enquadrada, num nincho monolítico, assim. Você tem diferentes áreas de pesquisa, umas mais sensíveis à causa que você esta levantando, de humanizar as Ciências, a Ciência pra que e pra quem, e por que?. E uma Ciência uma pouco mais pragmática, que as vezes, por via não lineares, ajuda a gente, ou a humanidade, a prestar mais  atenção no valor do meio ambiente, da natureza. Vamos dar o exemplo da recente Conferencia de Nagoya, em que pela primeira vez, se apresentou um estudo valorando os serviços ambientais. Por exemplo: quem fez esse estudo estava interessado em que? Em sensibilizar empresários para que corroborarem em favor de um tratado internacional em que se realizasse um movimento em favor da retirada sustentável dos recursos, respeitando a capacidade de suporte dos ecossistemas. Eu vi muita gente, muitos ambientalistas dizendo: mas é possível contabilizar, em valores monetários, quanto vale uma floresta, quanto vale os oceanos, os manguezais, coisa esquisita, economicista ao extremo. Sim, mas é uma contribuição importante para quem está absolutamente desconectado dessa realidade sensorial com o meio ambiente. Esse lado não mercantilista do uso dos recursos naturais comece a se dar conta de que há um limite, há um risco de colapso, sabendo usar não vai faltar, e que precisa sim estimar valores, e que seja por esta porta, por essa via, para que se tenha uma outra atitude em relação a natureza. Então, é preciso que cada um, com suas ferramentas metodológicas, com sua visão de mundo, possa contribuir para um novo modelo de desenvolvimento, que é o que interessa.

L.P –  E, nessa contribuição, como você observa o papel do jornalista, nas seus mais diversos campos de atuação, na transversalizacão sobre a visão  de mundo, para o resgate de valores humanos, espírito solidário, mudança de comportamento com relação ao consumo para um planeta mais cidadão? A academia, por exemplo, discute a necessidade ou não, de editorias especificas sobre Meio Ambiente, Ciência, defendendo a transversalidade da informação em todas as editorias, seja em política, economia, esporte, cultura, onde o compromisso com a informação de qualidade possa agregar valores para uma concepção de mundo integrado, solidário, responsável. Então como você observa o compromisso do jornalismo com esse processo? Resgate de valores , de olhar o outro, de se espiritualize para ter a grandeza que o ser humano precisa ter para dizer que vive?

A.T – Eu entendo jornalismo como duas frentes de trabalho que não se excluem, pelo contrário, são complementares: denunciar o que está errado, sinalizar os rumos, as saídas, as alternativas, opções inteligentes em favor da vida. Então a gente nunca vai perder essa perspectiva de denunciar o que é irregular, como malversação de recursos públicos, desrespeito às leis, a presença de criminosos fortemente armados em comunidades de baixa renda, como é a realidade que estamos vivendo, hoje, no Rio. Esse tipo de denúncia faz parte da nossa agenda. Estaremos sempre abrindo caminho para dizer o que não funciona. E, um outro segmento, outra preocupação, que é sinalizar como perspectiva. Eu concordo com a tese de que a gente não precisa de uma editoria de Meio Ambiente. Eu não sou jornalista ambiental, isso me coloca num gueto que não me sinto confortável. A COP XVI, no México, em Cancun, por exemplo, é pauta de que editoria? De Internacional, Economia, Meio Ambiente, Política, ou de todas? De todas!. Então, é um processo. Estamos hoje melhor do que já estivemos, em todos  os aspectos: espaço ocupado na mídia, qualidade das pessoas que estão fazendo uso da palavra e da escrita para expressar o que é a noticia. E estaremos, no futuro, se Deus quiser, melhor do que  estamos hoje. Mas capacitados para falar desses assuntos com a sua devida ordem de grandeza.

LP – O tema, sustentabilidade teve uma abrangência, uma visibilidade muito grande, nos últimos anos, digamos, 10 anos, talvez. Mas, o  termo sustentável ficou muito banalizado e assim, o discurso hoje é algo como: “não adianta eu separar o meu lixo em casa porque lá na porta a prefeitura não faz isso. É perda de tempo”. A imprensa, a sociedade,  banalizou tanto, escandalizou tanto os problemas, de forma catastrófica, que é como se o povo estivesse anestesiado. Então, como é que a gente pode contribuir, como jornalistas, educadores, cidadãos, formadores de opinião, para termos uma visão de mundo com olhar integrado? Como podemos, digamos, não desbanalizar o termo sustentável, mas dar a ele a forca que ele precisa ter para se entender que não é o planeta  que está se acabando, é a vida de cada um que precisa ser preservada. E de imediato?

“Não é correto, do ponto de vista da informação com credibilidade, usar o termo sustentável como adjetivo de tantos empreendimentos imobiliários, bancos, postos de gasolina, supermercados, companhias petrolíferas ou de mineração, dizendo que é sustentável. É, é uma ova. E ai a gente está aqui para dizer porque não é. E esse debate é muito rico e fecundo”.

AT – Bom, em primeiro lugar, sensacionalismo não combina com jornalismo ético, e de credibilidade. Aonde há sensacionalismo há perda de credibilidade. Você atende a outros interesses que não o da informação correta. Agora, por vezes, a gente precisa ser alarmista. Eu não vejo uma conotação pejorativa no senso de urgência que algumas notícias precisam sinalizar em relação a inevitável mudança em favor da vida. Então, precisamos, por vezes, dar o alerta. A gente precisa deixar claro que não é possível mais nos acostumarmos ou introjetarmos na nossa cultura certos hábitos, comportamentos, ou padrões de consumo, que são potencialmente danosos a vida. Qual é a palavra chave para isso? É calibragem. E como se faz a calibragem num texto jornalístico, do que você precisa alertar sem desmobilizar as pessoas? Isso não é fácil explicar, é um trabalho do mestre cuca. A comida tem que ter aspectos nutricionais importantes, mas tem que ter sabor. Tem que equilibrar elementos. E isso não é fácil responder, não é fácil dizer como. Mas, eu estou aqui expressando uma vivencia . É um norte magnético para o meu trabalho. A outra questão: eu adoro a palavra sustentabilidade e acho que a gente tem o direito, tal qual se dá com o desenvolvimento sustentável, que não é um conceito fechado, de nos patrulharmos mutuamente para ver como se dá o emprego desses termos ou expressões no dia a dia zelando pelo seu sentido mais puro. Quer dizer, não é correto, do ponto de vista da informação com credibilidade, usar o termo sustentável como adjetivo de tantos empreendimentos imobiliários, bancos, postos de gasolina, supermercados, companhias petrolíferas ou de mineração, dizendo que é sustentável. É, é uma ova. E ai a gente está aqui para dizer porque não é. E esse debate é muito rico e fecundo. Eu usei a palavra pureza, mas não sou propriamente um purista. Mas eu acho que é gostoso viver numa sociedade onde a imprensa é livre, o MP atuante, onde se tem as organizações não governamentais, a Academia, empresas, Igrejas, governo, todo mundo dando pitaco sobre o que é sustentabilidade. E, dessa discussão, se me parece, a gente avança, a gente avança debatendo e reportando. Porque que o outro diz que o projeto dele é sustentável, talvez não seja e isso e bom, é saudável. Eu gosto disto. Acho bom.

Importante incomodar esse poder dominante. Estamos falando de uma classe política e de uma classe econômica que complementam  ou consensuam que não há propriamente algo a ser mudado no que esta ai.”

LP – A comunicação, de forma geral, e a publicidade, em particular, parece ter absorvido, com muita competência, o discurso da sustentabilidade, mais em prol do que podemos chamar de Marketing Verde Vazio. E você falou, há um tempo ai atrás, no Observatório da Imprensa, que “a gente precisa ter coragem e compromisso em denunciar, em mostrar o que realmente está sendo feito e o que se diz que esta sendo feito”. Nos temos muitos embates no curso de Jornalismo Cientifico da Facom- UFBA, coordenado pela jornalista, professora Simone Bortoliero, onde ela convida diversos colegas jornalistas de todo o Brasil para vir a Bahia socializar informações conosco e onde estamos sempre a nos questionar como podemos integrar a Comunicação, principalmente, a publicidade, num discurso que seja harmonioso, por que a mesma competencia que a publicidade teve para incorporar um discurso de marketing verde vazio , mas convincente, sedutor com o consumidor, o jornalismo, nos parece,  não está tendo, para que possa ser um canal realmente educativo, informativo e que faça o pulo da mudança do comportamento, principalmente com relação ao consumo, que nos parece ser o grande desafio para a construção de um novo paradigma de mudança do modelo de consumo predatório como o americano e onde a China vem ai com tudo, nesse incentivo ao supérfluo, e onde temos um governo cuja política de Lula costuma medir/ressaltar o poder aquisitivo do brasileiro baseado em consumo de carros em detrimento ao incentivo/apoio ao transporte de massa, por exemplo. Enfim, a preocupação é: qual o modelo que estamos a desenhar, perseguir, que a gente precisa. para o futuro ?

AT –  Esse modelo não existe. E o grande desafio é esse. A gente está tendo que trocar o pneu da bicicleta com a bicicleta andando. A gente não tem esse modelo, estamos descobrindo, fazendo. O que e que a gente sabe? : os valores prevalentes da sociedade de consumo não são sustentáveis. O que e que a gente também sabe? Não é possível uma operação desmonte, que substitua o que esta ai. Você falou da relação Estados-China, por exemplo, não é por decreto, não se faz isso de um dia para outro dizendo assim: agora vamos acabar com a sociedade de consumo, vamos acabar com a banalização na compra de supérfluos e vamos ter aqui valores altruístas, humanitários, coletivos, socioambientais. Não é assim. Importante incomodar esse poder dominante. Estamos falando de uma classe política e de uma classe econômica que complementam ou consensuam que não há propriamente algo a ser mudado no que esta ai. Então, nesse momento é uma luta que se resolve em fases. Nesse momento importa convencer o maior número de pessoas, físicas ou jurídicas, que estamos num caminho que  remete ao ecocity. E isso não é pouca coisa. E, a  medida que avançamos nessa direção,  vamos nos capacitando a descobrir, se não é isso o que será? Se não é para termos uma sociedade ancorada no consumismo é para termos uma sociedade  ancorada em que valores? E que desenho de engrenagem econômica, que gere emprego e renda?. Como é que a gente faz isso? E antes da gente dizer como é que faz isso precisamos explicar, com a devida clareza, que o que está acontecendo agora não é conveniente. São etapas que vão se sucedendo. A gente tem que fazer as perguntas certas. A academia hoje não esta preparando economistas para o século XXI. É preciso pensar nisso. São exceções a regra como Eduardo Giannetti da Fonseca, Jose Eloy da Veiga, Sergio Besseman, são alguns nomes de pessoas que estão contra a maré. Então tem um tempo ai de decantação para a gente começar, antes de querer pronto um desenho de civilização baseado em outros princípios, a gente tem que queimar a mufa para ter a clareza do diagnóstico e dizer: isso não nos convém.

LP- Os 20 milhões de votos de Marina, com os Núcleos Vivos internos que foram pouco identificados pela mídia foi um alento à alimentação desse processo que você se refere? E, a presença feminina de Dilma Rousseff pode ter um peso no cominho político de mudanças com relação ao trato ambiental?

AT- O Leonardo Boff acha que sim. Mas eu não faço disso, propriamente, uma questão de gênero. Eu acho que você pode ser um homem muito sensível, com uma visão feminina prevalente de mundo e de valores e de atitudes e você pode ter uma mulher legítima representante da sociedade patriarcal. Mas, enfim, Leonardo sabe mais do que eu, portanto  quero confiar no que ele acredita. Nesse momento eu torço para que o governo dela seja um sucesso e que ela, como mulher, realmente, não por ser mulher apenas, mas que ela, também, sendo mulher, abriria mais espaço para uma outra forma de gestão.

Os 20 milhões de votos da Marina precisam ser contados, ao meu ver, da seguinte maneira: quem está fechado com a Marina por ser Marina ou por identificar-se com o pensamento de Marina, é metade disso, são os 10 milhões de votos que  parte da campanha colaram na candidatura do PV. Os outros 10 milhões, que vieram na reta final, eu já não tenho a segurança de afirmar que vieram por esse motivo. Eu acho que houve uma combinação de fatores do tipo: desilusão com os candidatos oficiais; campanha fratricida, um jogando denúncia na cara do outro, no colo do outro, e isso frustrou um contingente importante de eleitores. Além dos boatos de que eles não tinham, propriamente, respeito a certos princípios religiosos. Mas,  é um alento . E, respondendo objetivamente sua pergunta ela é um fenômeno.Você pode colocar o nome da Marina Silva no dicionário da história política do Brasil como alguém que nas eleições presidenciais de 2010, na sua primeira candidatura à presidência, surpreendeu as instituições, surpreendeu o próprio eleitorado. O fato dela ter ganhado em algumas importantes capitais e ter tido expressiva votação no Rio de Janeiro, por exemplo.

LP- Você acha que a proposta de Marina, de um jeito novo de fazer política, voto consciente, transversalizar a pauta ambiental e até defender o transpartidarismo, teve algum alcance, foi projetado na sociedade?

AT –A Marina foi o novo. E o novo em que sentido? No sentido dela estar muito bem embasada, muito bem acompanhada. Foi a única candidata das quatro candidaturas mais experientes, a apresentar um programa de governo detalhado e consistente. Portanto, o que ela estava falando estava lastreado em compromisso por escrito. Algo que os dois candidatos não fizeram. E um discurso muito sedutor. Eu entendo que nós temos no Brasil a necessidade  de se ver balizar um novo modelo de desenvolvimento. E um pais com a nossa configuração tem toda capacidade de construir, que seja realmente colocando a sustentabilidade como o eixo motivacional. Não é um adereço, não é uma variável digamos um tanto distante do desenvolvimentismo, mas é  tão importante quanto produzir riqueza, tão importante quanto gerar emprego e renda, é  que essas políticas públicas não onerem o passivo ambiental do Brasil, pense um Brasil futuro numa escala de 50  a 100 anos quando a gente fala de matriz energética; que pense em Educação, olhando nas grades curriculares, ementas de cursos tradicionais a possibilidade de inserir não uma disciplina eletiva, durante um semestre, mas como na Engenharia, no Jornalismo, na Economia, na Odontologia, na Agronomia, como é que se inclui a variável Sustentabilidade. Esse é um discurso que está condenado a crescer. Então, a semeadura foi boa. E que não seja do gueto do PV. Eu torço para que nas próximas eleições nem o PV e nem a Marina sejam os únicos porta-vozes desse discurso.

LP – Por isso que eu te perguntei sobre os Núcleos Vivos da campanha, como o MMS, Movimento Marina Silva e pessoas que não gostam de partidos, ONGs e movimentos ambientalistas, como o AMA- Amigos do Meio Ambiente que foi até SP buscar subsídios para ampliar a campanha, na Bahia, no Nordeste. André tem muita gente esperando a sua palestra e não queremos atrapalhar. Queria fazer uma última pergunta, sobre o que creio pouca gente conhece, sobre sua pessoa, sobre o tema de sua palestra, “Espiritismo e Ecologia”.

AT –   Essa  última pergunta, é pra me derrubar!! ( risos..)

LP. Não, é que temos curiosidade de saber como é isso, porque você me parece,  você não é um jornalista que fala sem coração e alma, com certeza!!

AT-  Olha, todas as religiões, todas as tradições espirituais para se afirmarem como tal precisam ser sustentáveis, Porque, se eu bem entendo o significado do discurso religioso é de nos religarmos a uma força superior, todas as religiões tentam nos transformar em pessoas melhores e promovem à vida, na sua plenitude. Uma religião que não seja sustentável é um paradoxo terrível. Espiritismo é uma filosofia espiritualista que  tem aspectos religiosos e trás nas suas informações básicas, isso é interessante porque é uma doutrina que tem 150 anos e ela realmente é muito moderna em assertivas que remetem a um mundo mais solidário e no uso dos recursos naturais, separa o que é necessário do que é supérfluo e com uma consideração importante no que é reencarnação. Nós somos recarnacionistas, portanto, para cá regressaremos se tivermos a compatibilidade com a vida, com esse planeta, que está em transformação, devera ter. Portanto, nós estaremos preocupados não apenas com os filhos e netos, estaremos preocupados com nós mesmos, quando nos afirmamos como recarnacionistas. Quer dizer: a lei do retorno, que o budismo também preconiza, estabelece uma ética que não é só para com o outro   também é para um legado que você deixa para os outros, para você.

LP – Para concluir. Como é que se pratica isso sem entrar na questão de fé cega, no fanatismo, porque isso é um problema não e?

AT- O espiritismo, bem compreendido, é a fé raciocinada. Eu não estou aqui.

LP- Desculpa, mas eu não falo só com relação ao espiritismo, mas com relação a espiritualidade, de forma geral, de introduzir essa coisa sublime de pensar no outro sem cair no que nós observamos hoje, no Brasil e no mundo, na fé cega, alienada, no culto até, por vezes, violento, com registros na própria imprensa.

AT-  Hummm, bem, questões de fé é de cada um. Quem se identifica com um discurso mais radical, com dogmas rígidos, código moral secreto, quem se identifica, que seja feliz assim. Cada um escolhe o seu caminho, ninguém é obrigado. Você busca o que você tem afinidade. O mundo, ele é desigual em vários aspectos. Inclusive nas crenças. Eu não vou falar mal de quem tenha outra visão de Deus, da vida ou do uso dos recursos naturais. Agora, no livro Espiritismo e Ecologia eu abro um capítulo para  falar de outras religiões. Como ela já estabelece esses links entre suas escrituras, seus pontos de fé, e o que a gente chama, hoje, modernamente de sustentabilidade, então é muito bonita essa sinergia entre budismo, judaísmo e diferentes religiões cristas. Eu, espiritismo, nessa família cristã, na busca  de um mundo melhor e mais justo. De um mundo sustentável”.

gil e stevioe

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